Ao vivo no Renascença Clube


Disco Moacyr Luz
  • Disco
  • Ano
  • Gravadora
  • Release
  • Moacyr Luz e Samba do Trabalhador - Ao vivo no Renascença Clube
  • 2012
  • Lua Music
  • Moacyr Luz registra uma festa, que ao longo de 10 anos se faz presente no Rio de Janeiro para pessoas que apreciam uma verdadeira roda de samba. O repertório contém sucessos como “Saudades da Guanabara” e “Cabô, Meu Pai”, enriquecidas com a participação espontânea do público. A presença do maestro Rildo Hora enriquece a apresentação somadas as participações de Makley Mattos, Moyseis Marques e Marcelinho Moreira.


  • A música “Benza, Deus” foi regravada por LUIZ CARLOS DA VILA, MARCELINHO MOREIRA e JUH FERREIRA
    A musica “Que Batuque é Esse?” foi regravada por DORINA
    A música “Vida da Minha Vida” foi  regravada por ZECA PAGODINHO
    A música “Cabô, Meu Pai” foi regravada pelo grupo TOQUE DE PRIMA e ZECA PAGODINHO
    A música “Eu Só Quero Beber Água” foi regravada por MANU SANTOS
    A música “Estranhou O Que?” foi regravada por BETH CARVALHO


01 | Eu Só Quero Beber Água

Moacyr Luz

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Quando o samba chegou
Na curva de um rio que passou
Foi o mar roçando a pedra
Tanto cantou, noite alta
Que o galo serenou
E uma voz anunciou, meu “sinhô”
Eu só quero beber água

Tanto cantou, noite alta
Que o galo serenou
E uma voz anunciou, meu “sinhô”
Eu só quero beber água

E assim o tempo passou
Fez poeira pro ganzá
Fez a lua pratear
Fez o som da revoada
Tempo passou, noite alta
Que o galo serenou
E uma voz anunciou, meu “sinhô”
Eu só quero beber água

E tudo cantou
O vento no meio da mata
Veio me chamar
Eu nasci daí,
Eu só quero água

02 | Benza, Deus

Moacyr Luz / Luiz Carlos da Vila
Participação especial: Marcelinho Moreira

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Benza Deus!!!
que chegou bem na hora “aga”
Agora é você e eu
A demanda ficou pra trás
Não tive nada a ver com o que aconteceu
Se foi pra doer, doeu
agora é viver em paz

Tanta maldade
Da gente que faz intriga
Que vai provocando briga
Causando essa amolação
Até disseram
Que eu tinha alguém no samba
A corda de uma caçamba
andando na outra mão

Sai pra lá, sai pra lá
já bateu o tambor
não há mandinga na ginga do nosso amor

Até vieram pra mim de barba de bode
e eu de comigo ninguém pode
fiz o mar brotar no chafariz
Pra confirmar fui na onda do Esguleba
aroeira e jurubeba
pra cortar o mal pela raiz.

Sai pra lá… sai pra lá…

03 | Samba dos Passarinhos

Moacyr Luz / Martinho da Vila

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Um passarinho me disse
Que vamos viver pra sempre um grande amor
Canário livre cantou, cantou, cantou, cantou feliz
Um bem-te-vi que ouviu
Bentevitou com o seu amigo tiziu
Um pintassilgo se alçou e foi piar bem juntinho da perdiz

Logo que entardeceu
Galinha cocorocou
Canto de galo ecoou, de longe um outro respondeu

Um corpo ardente riscou o céu e o pedido que fiz
Foi para ser sempre seu, só seu, só seu, só seu, só seu

Vamos sonhar bem juntinhos
Levando a vida a cantar
E como dois passarinhos
Voar, voar, voar, voar

04 | Pra Que Pedir Perdão?

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Se é pra recordar dessa maneira,
sempre causando desprazer,
jogando fora a vida em mais uma bebedeira,
ó, sinceramente, é preferível me esquecer
Eu te prometi mundos e fundos
mas não queria te magoar
Eu não resisto aos botequins mais vagabundos
mas não pretendia te envergonhar
marquei bobeira…
Vi muitas vezes o destino
ir na direção errada
e a bondade virar completo desatino
a carícia se transformando em bofetada
Ah, eu sou rolimã numa ladeira
não tenho o vício da ilusão:
hoje, eu vejo as coisas como são
e estrela é só um incêndio na solidão
Se eu feri teu sonho em pleno vôo
pra que pedir perdão se eu não me perdôo?

05 | Som de Prata

Moacyr Luz / Paulo César Pinheiro
Participação especial: Gabriel Cavalcante

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Nasceu no Rio de Janeiro
Dia do Santo Guerreiro
Naquele Tempo que passou
Foi o maior mestre do choro
Tinha um coração de ouro
E que bom compositor!
Foi Carinhoso e foi Ingênuo
E na roda dos boêmios
Sua flauta era a rainha

E em samba, choro e serenata
Como era doce o som de prata, dotô
Que a flauta tinha
O embaixador dessa cidade
Meu Deus do céu, mas que saudade que dá
Do velho Pixinguinha

Veio da Terra de Zambi, sangue de malê
De uma falange do Rei Nagô
Filho de Ogum, de São Jorge no Batuquejê
de Benguelê, de Iaô
Rainha Ginga
É que sua avó era africana
A rezadeira de Aruanda, vovó
Vovó Cambinda
Só quem morre dentro de uma igreja
Vira Orixá, louvado seja o sinhô,
Meu Santo Pixinguinha

Ele é de Benguelê
Ele é de Iaô
É do batuquejê
Ele é do Rei Nagô
É sangue de malê
É santo, sim “sinhô”

06 | Rainha Negra

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Participação especial: Mingo Silva

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A idade da sereia
O baticum de pé no chão
Chuá de cachoeira
O mito, o rito ritmam a respiração
Tan tan e atabaque
A gargalha do ganzá
O canto de trabalho
A dança, a ânsia sagrada de rememorar
O escuro do negreiro
O açoite pardo do feitor
E um clarão enganador:
A liberdade sonhada ainda não chegou
Saúdo os deuses negros
Da serra-mar céu de Quelé
Pro povo brasileiro
Rainha negra da voz, mãe de todos nós

07 | O Chão Azul de Madureira

Moacyr Luz

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Rodei, rodei e perguntei:
Madureira onde é que fica?
Da Portela alguém falou,
Vai na casa da Surica
Não tem como errar o caminho
Pergunte a Argemiro que ele indica (vai)
Sem vacilar,
É na casa da Surica
Mas vê se chega devagar
Que é na casa da Surica
Num pedacinho do céu
a águia voa
É daí que vem a luz
Que rebrilha e conduz
Essa Pastora
O azul que tem nesse chão, já não se explica
É o manto que protege
Os caminhos da casa da Surica

08 | Que Batuque É Esse?

Sereno / Moacyr Luz

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Eu falei pra você que o batuque é esse
No fundo do meu quintal
Eu falei pra você que o batuque é esse
No fundo do meu quintal

Andei a pé na Bahia
Mareei no Maranhão
Benzi filho de Maria
Fiz fogueira em São joão
Depois num samba de Roda
Alguém fez recordação
Se o batuque tá na moda
Começou na minha mão
Eu falei pra você…

Ouvi de Jesus Menino
Que folia era de Reis
São Jorge desceu Quintino
E pediu a sua vez
Quando a vida de acomoda eu me lembro do dragão
Se o Batuque está na moda
Começou na minha mão
Eu falei pra você…

Por volta do meio-dia
Troquei pele do pandeiro
Conselho da minha tia
Cuida bem do teu terreiro
Vê se tem roupa na corda
Deixa o céu tocar no chão
Se o batuque está na moda
Começou na minha mão

09 | Você Não Parece Mais Você

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Participação especial: Alexandre Nunes

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Todo dia você me avalia
e diz que eu mudei
onde foi que eu errei
Tento fugir no meu samba,
você me esculhamba
diz que eu tentei ser bamba
mas falhei

No vento que venta (pra) lá
preciso te dizer:
Que também não sei quem é você

Faz tanto tempo que tento entender você
você me olha e nada de ver você
A luz da minha saudade queima sem saber
Te abraço sem achar você
Olha no meu coração que insiste em renascer,
Faço tudo pra encontrar você…
Você não parece mais você…

10 | Anjo da Velha Guarda

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Participação especial: Makley Matos

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O terno branco parece prata
E a fita em meu peito diz que eu sou
Daqueles que vão pra Maracangalha
Rever Anália
Eu vou
No vento que leva o chapéu de palha
Também sou de fibra e pau-brasil
O samba é tudo que eu sei
E Momo é o único rei que amei
Sou a sétima corda e passo devagarinho
Com Rodouro no coração
Meu nome em letras de ouro
É parte do tesouro de qualquer agremiação
De cuíca eu manjo
Também vou de banjo
Fiz das avenidas meu salão…
Fidalguia esbanjo
E danço com meu anjo
Eu sou da velha guarda, meu irmão!

11 | Quando Se É Popular

Wilson das Neves / Moacyr Luz
Participação especial: Moyseis Marques

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Sei que falaram de mim
Como falam de mim é um tal de: me diz, “quê qui há”!
Eu não sou vaso ruim
Mas o meu tamborim é difícl quebrar, descambar, não
Evito uma confusão
Que dar opinião, qualquer um pode dar. veja lá
Quando se é popular
Tem que ter um andar
E saber se vestir, e aí
Vim de chapéu panamá
Do império de lá
Me encantar por aqui

Na Mem de Sá, fui de canja
Boa conversa se arranja
Alguém falou no ouvido
Um samba meu
Me deparei comovido
Semente que floresceu
Por isso falam de mim
Graças a Deus

12 | Estranhou o Que?

Moacyr Luz
Participação especial: Alvaro Santos

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Preto pega surf
pega praia
preto pega jacaré

Preto vê vitrine
olha o magazine
compra se quiser

Preto põe sapato
usa pé de pato
porque tem os pés

Come sashimi
bebe champangne
e também tem Rolex

Estranhou o que?
Preto pode ter o mesmo que você

Preto joga chame
come carne
preto roda de chofer

Anda de avião
craque de gamão
troca de talher

Preto lê exame
férias em Miami
prÊmio Molière

Pede uma suíte
roupa de boutique
preto da rolé

Estranhou o que?
Preto pode ter o mesmo que você…

13 | Praça Mauá: Que Mal Há?

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Ah, me diz aí; mas que mal há
Em ir lá pra Praça Mauá
Relembrar…
Se eu tô sem brio e estrela guia
Se há no barco uma avaria
Vou pra lá…
Meio adernado meu navio
Retomo o rumo, encontro o fio
Num samba do melhor que há
Meu porto ta lá
No cais eu ressurjo
É como se o Méier brotasse a beira-mar
Que sacanear
Encaro e não fujo
Eu sou marujo da Praça Mauá

Em São Francisco da Prainha eu gostei
De uma cabocla da Pedra do Sal
Que, incentivada pela grande Nora Nei
Tentou a vida de cantora ali na Rádio Nacional
Seu nome: Conceição feito a igreja
fazia um peixe com cerveja
atras da Sacadura Cabral
que João da Baiana
louco por matizes
provou com caiana
depois pulou no mar
encontrou Netuno
com três meretrizes
e foram juntos pra Paquetá !
– Um dia vi Iemanjá!
– cantando num dancing lá…
Me diz aí: que mal há
Em ser da Praça Mauá?

14 | Saudades da Guanabara

Moacyr Luz / Aldir Blanc / Paulo César Pinheiro

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Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei…)
Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (…e então)
Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade
Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar
Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração
Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (…e então)
Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade
Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro
Pois é pra gente respirar (Brasil)
Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

15 | Vida da Minha Vida

Sereno / Moacyr Luz

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Vida da minha vida
Lua que encandeou
Uma canção bonita
Feita pro meu amor
Vida da minha vida
Olha o que me restou
Flores na despedida
Versos de um amador
Vida da minha vida
Um vento me derrubou
A alma desprotegida
No peito de um sonhador
Vida da minha vida
Peço ao meu protetor
Se for pra ser vivida
Diga pra onde eu vou
Vida da minha vida
Se eu fosse sabedor
Deixava mais aquecida
A chama que me queimou
Vida da minha vida
Algo me enfeitiçou
Já nem sei mais a medida
É tão avassalador
Vida da minha vida
Um vento me derrubou
A alma desprotegida
No peito de um sonhador
Vida da minha vida
Peço ao meu protetor
Se for pra ser vivida
Diga pra onde eu vou

16 | Cabô, Meu Pai

Moacyr Luz / Aldir Blanc / Luiz Carlos da Vila

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O pai me disse que a tradição é lanterna
vem do ancestral é moderna
bem mais que o modernoso
e aí é o meu coração que governa
na treva é a luz mais eterna
o todo mais poderoso
Também me disse
com aquele jeito orgulhoso,
que o samba é mais que formoso,
que ninguém lhe passa a perna
É a marola que vira o mar furioso
Netuno misterioso
o tesouro da caverna.
A jura é pra quem rezar,
a reza é pra quem jurar
a alma pra sempre é a do Fundador.
Maré muda como o luar,
futuro é pra quem lembrar
Se é isso que o pai ensinou…
cabo
Cabô, meu pai…
Cabô, ô ô …
Cabô, meu pai… Cabô

Direção Geral: Thomas Roth
Direção Artística: J. Júnior
Produção Executiva: Kika Simões
Projeto Gráfico: Nação Design
Direção de Arte: Carlos Baptista e Ricardo Campos
Assistente de Arte: André Alves Grosso

Voz e Violão: Moacyr Luz
Voz e Cavaquinho: Gabriel Cavalcante e Alexandre Nunes
Voz e Percussão: Álvaro Santos e Mingo Silva
Violão 7 cordas: Daniel Neves
Percussão: Luiz Augusto, Junior de Oliveira e Nilson Visual
Regência e Gaita: Rildo Hora (participação especial)

Participações Especiais:
Marcelinho Moreira
Moyseis Marques
Makkley Mattos

Gravado ao vivo por Studio Araras (Sérgio e Simone Lima Netto)
Técnico de Apoio e Mixagem: Jadir Florindo (Estúdio Alcatéia Visual)
Masterização: Guilherme Barros (Estúdio Alcatéia Visual)
Técnicos de P.A: Ar Inn Rio (Marreta e Dedeco)
Assistência de Produção: Nano Ribeiro
Fotografia: Caru Ribeiro


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