Mandingueiro


Disco Moacyr Luz
  • Disco
  • Ano
  • Gravadora
  • Release
  • Mandingueiro
  • 1998
  • Dabliú Discos
  • O terceiro, “Mandingueiro”, lançado em 1998 pela Dabliú Discos, conquistou rasgados elogios da crítica e trouxe algumas boas parcerias com Nei Lopes e Paulo César Pinheiro. Moacyr Luz divide bem o tempero com o grande poeta letrista, Aldir Blanc, e valoriza o que é brasileiro, mostrando o melhor do samba carioca. O disco tem como referência maior o samba. Elogiado pela crítica, o disco resgata a formação clássica das rodas de samba predominando as dobradinhas: cavaquinho e violão, bandolim e sete cordas, pandeiro, surdo, cuíca e tamborim. No repertório sambas como “Anjo da Velha Guarda”, “Pra Que Pedir Perdão” e “Cachaça, Árvore e Bandeira”.


  • A música “Anjo da Velha Guarda” foi regravada por VÂNIA ABREU e DORINA
    A música “Pra Que Pedir Perdão” foi regravada por ANA COSTA
    A música “Mandingueiro” foi regravada por LENI ANDRADE e DAYSE CORDEIRO
    A música “Cachaça, Árvore e Bandeira” foi regravada no disco VELHA GUARDA DA MANGUEIRA


01 | Jogo Rasteiro

Moacyr Luz / Nei Lopes

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Angoleiro!
Mandingueiro!
Inzoneiro!
É na ginga que o bom mandingueiro (olerê)
vai ganhar devagar, tempero, ioiô!
Aprender a jogar rasteiro
e atrasar pra chegar primeiro
É no mar e não lá no estaleiro (olerê)
que se vê o bom saveiro, ioiô!
Enfrentando qualquer banzeiro
tempestades ou nevoeiros
O jogo do amor tem dessas manhãs
feito as águas de Inaê
Não precisa de grandes façanhas
é só saber gingar e ser
maneiro,
mandingueiro
bom saveiro
no banzeiro

02 | Encontros Cariocas

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Ai, meu Deus do céu, eu fui feliz
bebendo com você
no Bar Luiz
e hoje quem diz
que havia um riso permanente em nossa boca…
Louca, a saudade acende as chamas:
revejo o Lamas,
você brejeira, mãos de menina,
pedindo ao Vieira a conta
e nós indo dançar
pra descerrar na Estudantina
o que há na vida da Bailarina…

Que prazer, com você, ouvir o Noca
na roda dos Encontros Cariocas…
Hoje a madruga, anda vazia,
quanto mais a gente enxuga rugas e agonia.
Cresce no Bar da Dona Maria
a falta que faz a tua companhia
– No Bip Bip te vejo qualquer dia
Em São Cristóvão, Monarco é garantia
É o rio fazendo pra mim a melodia!

03 | Samba de Fato

Moacyr Luz / Paulo Cesar Pinheiro

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Que eu gosto de samba é fato
e um samba de fato eu gosto assim
na faca e no prato
na mão de um mulato
no couro de gato
que faz um bom tamborim

Num samba que é bom, meu trato
Eu curto um barato até o fim
não tenho recato
arrasto o sapato
na Boca do Mato ou em qualquer botequim
eu chego e no ato
assino o contrato
aonde o samba chamar por mim

Quem vai pro samba não tem
perna bamba e pé chato
não vai de gaiato
nem acha ruim…
Na galeria do samba
eu já pus me retrato
pro isso sou grato ao Senhor do Bonfim

Se houver sindicato
eu me candidato
e cumpro o mandato
ao toque do seu clarim
eu chego e no ato
assino o contrato
aonde o samba chamar por mim

04 | Anjo da Velha Guarda

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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O terno branco parece prata
e a fita em meu peito diz que eu sou
daqueles que vão pra Maracangalha
rever Anália, eu vou!
no vento que leva o chapéu de palha,
também sou de fibra e de pau-brasil.
O samba ‘que tudo que eu sei
e Momo é o único rei que amei

Sou a sétima corda e passo devagarinho
com Rodouro no coração,
meu nome em letras de ouro
é parte do tesouro de qualquer agremiação

De cuíca eu manjo,
também vou de banjo,
fiz das avenidas meu salão…
Fidalguia esbanjo
e danço com meu anjo:
eu sou da Velha Guarda, meu irmão!

05 | Não Deves Sorrir Assim Pra Mim

Roberto Martins

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Não deves sorrir assim pra mim
as vezes do riso começa um romance
amando vamos penar
estamos tão bem assim
pra não trocarmos de mal
não deves sorrir pra mim

O riso foi a imagem da alegria
e que deixou a nostalgia
no meu coração
o meu primeiro amor também sorriu assim pra mim
e me deixou chorando por fim

Não deves sorrir assim…

O teu olhar também é provocante
e é outro agravante
para uma paixão
Olhares e sorrisos são sementes dos amores
para depois trazer dissabores

06 | Gotas de Samba

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Ouço dizer que o futuro a Deus pertence,
eu sei lá!
Sem você, futuro serve pra quê?
– a não ser pra olhar pra trás e rever
que houve um tempo em que eu pensava:
a esperança é a última que morre
e oxalá
os teus olhos dêem luz pra os meus
– empréstimo feito a Deus

Sei que quem casa quer casa,
o inocente anda nu,
muita pressa atrasa,
o apressado como cru,
quem cuspir pro alto recebe na cara,
se o assunto é onça,
faz melhor quem mede a vara…

Nem tanto ao mar…
peixe morre pela boca,
ai, não jura!
Samba é sangue em gota
na pedra dura:
não pensando em ficar, perdura

07 | Choro das Ondas

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Do teu corpo, saciado
debruçado sobre mim
brotam risos estrelados
iguais ao som de um bandolim
Entre as pernas, em teus pelos
um licor flamboyant
faz tua ilha Paquetá de manhã
Cai a chuva nos cabelos
e há lampejos e trovões no ar…
mais um beijo e o arco-iris
tinge o teu olhar
Nadam cardumes e peixes
nos pingos do teu suor,
voam flamingos nas redes das mãos
e os seios ao sol.
Divindades sacrificam
dentro dos olhos ateus
e ondas brancas tingem lenços de adeus.
E o teu corpo saciado
deixa o meu de lado e vai dormir
e o meu corpo desvairado
não se conforma em ver partir
quem me ensinou
a não se despedir

08 | Pra Que Pedir Perdão?

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Se é pra recordar dessa maneira
sempre causando desprazer,
jogando fora a vida em mais uma bebedeira,
ó, sinceramente, é preferível te esquecer

Eu te prometi mundos e fundos
mas não queria te magoar
Eu não resisto aos botequins mais vagabundos
mas não pretendia te envergonhar
marquei bobeira…

Vi muitas vezes o destino
ir na direção errada
e a bondade virar completo desatino,
a carícia se transformando em bofetada

Ah, eu sou rolimã numa ladeira
não tenho o vício da ilusão:
hoje eu vejo as coisas como são
e estrela é só um incêndio na solidäo
Se eu feri teu sonho em pleno vôo,
pra que pedir perdão se eu não me perdôo?

09 | Mandingueiro

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Num samba assim mandingueiro
é que eu divido bem o tempero
e é bom dosar o ingrediente:
um dente, sal menos louro,
eu não entrego o ouro e é olé
no gringo

Brincar com eu brinco
é armar um rolo,
aí meto o couro pra valorizar
o que é brasileiro
porque só quem gira a pé no morro
sabe o que eu corro por aí
pra essa peteca não cair

Canto qualquer parada
mando: não tem errada
porque só quem gira a pé no morro
sabe o que eu corro por aí
pra essa peteca não cair

Meu samba não vai cascatear,
eu digo então tá e dou o plá!
Quer ver esse molho desandar?
Põe muito louro e blá-blá-blá…

10 | Chupa Cabra e Ketchup

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Veio com mancha roxa no pescoço
Essa eu não segurei, já não sou moço.
De justificativa, uma mentira das braba:
Que não vacilou, que o autor foi o tal Chupa-Cabra

Eu perdi a razão, saí da linha,
já não tô pra pegar balão…
Nem vem de galinha frita:
isso é din-din de paulista
Dá o fora, não sou nenhum bagulhão

Ela fez um chamego e disse: Negô,
você não vive sem meu bobó,
sem meu xinxim, sem meu quindim,
olha pra mim, não fica assim,
quem vai saber qui-ti-dendê
salpica o pirão que eu te faço?

Apaguei o cigarro e disse, inteiro:
a muqueca tu vai levar!
Esse lero de tempêro já desandou, popará!
Jejum de chifre é melhor que se empaturrar
Pega o Chupa-Cabra e enfia onde tu acha que dá:
não põe ketchup no meu vatapá!

11 | O Tocador é Bom

Moacyr Luz

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Bate na caixa
bate no tambor
Santa Cecília protege o tocador
A gente cria
mão na mão vazia
morria se não fosse tocador

Um bêbado de botequim tocando
o tamborim num cinzeiro de barro
não dá pra parar o som
é um toma lá da cá
samba que o baião vai dar
que o tocador é bom

Bate na caixa…

O batuque do sapato no chão brilhando
o pente fino no papel do cigarro
é Música fazendo o som
Pega a frigideira lá
faz a faca assoviar
samba que o baião vai dar
que o tocador é bom
cuíca na gamela dá
areia na garrafa dá
samba que agora dá
que o tocador é bom

12 | Cachaça, Árvore e Bandeira

Moacyr Luz / Aldir Blanc

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Gênio da raça:
Carlos Cachaça
– dos Arengueiros, a Fina Flor.
Mito da massa,
Carlos da Cachaça
da Verde-Rosa, o Embaixador.
O tempo passa
na corredeira…
Carlos Cachaça bebeu Mangueira.
Raiz e tronco,
folha sagrada onde o morro
reescreve a história do seu povo
– mas essa é verdadeira!
São os tambores
que narram a lenda guerreira
no Quilombo da Estação Primeira!
Mangueira

É tão bonito
ver um sambista transformar-se em dança
de ramos verdes onde o vento e a sombra
transmitem aos filhos sua herança.
Quando o arvoredo amanhece
vestindo o rosa da Aurora Bordadeira
cada estrela troca o céu
pela bandeira da Mangueira.

Produtor Fonográfico: Dabliú Discos
Coordenação de Projeto Fonográfico: José Carlos Costa Netto
Produção Artística: Moacyr Luz
Produção Executiva: Zé Luiz Soares
Auxiliar de Produção: Ize Sanz
Técnico de Gravação e Mixagem: Nilo Sérgio
Auxiliar de Estúdio: Amaro Moço
Masterização: Zé Nogueira
Capa: Mello Menezes
Design: Ricardo Amaral
Foto da Capa: Dirce Satiko Ito
Gravado nos dias 12, 13, 14, e 2 de janeiro no Estúdio Hora – Lapa / Rio
Gentilmente cedido pela gravadora alma: Aldir Blanc
Arranjos: Moacyr Luz (com o áudio luxuoso de Pedro Amorim e Carlinhos Sete Cordas)

Músicos:
Voz e Violão – Moacyr Luz
Cavaquinho, Bandolim e Violão Tenor: Pedro Amorim
Violão 7 cordas: Carlinhos Sete Cordas
Pandeiro, Tamborim e Ganzá: Beto Cazes
Pandeiro, Cuíca e Tamborim: Ovídio Brito
Surdo: Gordinho
Tan-tan, Repique de mão e tamborim: Marcelo Moreira
Coro: Paulão, Didu Nogueira, Beto Cazes e Ione Papas

Todas as músicas editadas por EMI Publishing exceto “Não deve sorrir assim pra mim” – Ed. Irmãos Vitale


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