Vitória da Ilusão


Disco Moacyr Luz
  • Disco
  • Ano
  • Gravadora
  • Release
  • Vitória da Ilusão
  • 1995
  • Dabliú Discos
  • O novo disco de Moacyr Luz – o primeiro em sete anos – é também um disco de Aldir Blanc, ou melhor, dos dois, um influenciando o outro. Foi na africanidade de certos temas de Luz que Blanc achou o mote para letrar “Benção, Nã-Buruquê”. Como deve ter sido a urbanidade do letrista o guia do parceiro na melodia de “Só Dói Quando eu Rio”: – Há quem não se importe, mas a Zona Norte / É feio cigana lendo a minha sorte… São 16 faixas que trazem canções consagradas dentro do samba e da música popular brasileira, como “Mico Preto” e “Saudade da Guanabara”, alguns dos destaques.

     


  • A música “Itajara” foi regravada pela cantora FÁTIMA GUEDES
    A música “Rainha Negra” foi regravada pela cantora MARIA BETHÂNIA
    A música “Meu Tempero é Sal” foi regravada pelo cantor CLÁUDIO LINS
    A música “Mico Preto” foi regravada pelo compositor GILBERTO GIL e pelo instrumentista ADRIANO GIFONNI
    A música “Paris: de Santos Dumont aos Travestis” foi regravada pela cantora ROSA PASSOS
    A música “Só dói Quando eu Rio” foi regravada pelas cantoras SELMA REIS e LUNA MESSINA
    A musica “No Mesmo Colar” foi regravada pelas cantoras CÉLIA e FABIOLA
    A músicia “Flores em Vida Pra Nelson Sargento” foi regravado pela cantora BETH CARVALHO
    A música “Medalha de São Jorge” foi regravada pelas cantoras MARIA BETHÂNIA e SIMONE MORENO
    A música “Saudades da Guanabara” foi regravada por BETH CARVALHO, LENI ANDRADE, ITAMARA KOORAX, GRUPO GARGANTA PROFUNDA e EMILIO SANTIAGO


01 | Itajara

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Baixo elétrico: Jorge Helder | Percussão: Beto Cazes | Trombone: Roberto Marques | Quarteto de cordas (*) | Arranjo de cordas: Henrique Cazes

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Brasil,
Marajás e mandarins…
Capim
Dá embaixo, dá no alto,
Dá na rampa do planalto,
Dá o tema pro cantor
Malandro aqui
Mesmo vindo do macaco
Ainda está mais pra quadrúpede
Tacando coice e metendo a mão
E se tu pedir
Qual é a opinião da massa
Vai ouvir que ela se amassa
entre a hiena e o tubarão.
Poder a três e à toa
Provou que o Pau-Brasil não faz canoa.
Sou muito mias numa boa
Itajara com as Três Coroas.
Todo mundo afana
Da gang do Escadinha ao seu bacana
Só que a falange vermelha
Ao menos governa em cana.

02 | Centro do Coração

Moacyr Luz / Aldir Blanc / Víctor Martins
Violão e voz: Moacyr Luz | Piano: Leandro Braga | Baixo elétrico: Jorge Helder | Percussão: Beto Cazes | Clarinete: Paulo Sérgio Santos

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Deus desenhou meu coração
De um jeito igualzinho
Ao velho Centro do Rio
São tantos pontos de luz
Em direção a procissão da festa
Da Candelária
Eles percorrem minhas coronárias,
Vejam vocês:
No carnaval, o bonde 66
Na Sete de Setembro apareceu mais uma vez
Tem condutor, motorneiro,
Tem o Guinga, o Paulinho Pinheiro,
O Nogueira e o velho Hermínio num reduto biriteiro.
Um trocador troca as fichas do meu coração
De quebra me vende mais uma ilusão.
Rua do Carmo, Uruguaiana, Ouvidor
São pontes de safena pra tamanho amor
Mas se o ar tá me faltando porque alguém sujou
Cruzo a Primeiro de Março e até o mar azul eu vou.

03 | Bença, Nã-Buruquê

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Baixo fretless: Ricardo Feijão | Pandeiro, surdo e caxixi: Beto Cazes | Atabaques e efeitos: Carlos Negreiros | Barrica, garrafas e pratos: Jovi Joviniano | Coro: Tia Doca, Dona Eunice, Renata Penna, Cristina Buarque e Pií

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Tem tanta folha aqui pra varrer
Ai, Nana-Buruquê
Ifá me ajuda com o opelê
Ai, Nana-Buruquê
Oxumaré e Obaluaê
Bença, Nã-Buruquê
Vou mascarada pra Gueledê
Com Nana-Buruquê

A chuvarada verga
A espinha da favela
Nanã Santana varre
Eu sou a filha dela
O temporal passou
Restaram lama e lodo
Por isso é que Nanã
Recria o mundo todo.

Mel, inhame e dendê!
Salubá-Buruquê!
Ontem, hoje e amanhã
Salubá-Shapanã!

04 | Filho de Núbia e Nilo

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Baixo fretless: Ricardo Feijão | Djembe e caixa: Beto Cazes | Agogôs e lê: Carlos Negreiros | Ganzá e caxeta: Jovi Joviniano

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Quando o negro se requebra
É a água da pedra que rolou por aí
Vem baiana e baticum
É a zarabatana e o cravo em só um
Quando bate palma
o suor da alma
Transparece na cor
Com malícia e rapa
é que o negro escapa
Das lições do feitor
Quando o negro entra na dança
O seu braço é uma lança
De guerreiro no ar
Na cabeça mato e rocha
As fogueiras e as tochas
Iluminam o olhar
Meus pais Núbia e Nilo
Ensinaram os brilhos
Pra enfeitar o rancor
Com sorriso e farra
É que o negro escarra
Nas feições do feitor

Negro ginga, espanta no pé
A mandinga tsé-tsé
Xinga que é essa língua é de fé
Ginga e figa só de guiné

05 | Rainha Negra

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Cello: Luiz Fernando Zamith | Percussão: Beto Cazes

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A idade da sereia
O baticum de pé no chão.
Chuá de cachoeira…
O mito, o rito ritmam a respiração
Tantan e atabaque,
A gargalhada do ganzá
O canto de trabalho,
A dança, ânsia sagrada de rememorar

O escuro do negreiro
O açoite pardo do feitor
E um clarão enganador.
A liberdade sonhada ainda não chegou

Saudo os deuses negros
Da serra-mat céu de Quelé
Pro povo brasileiro
Rainha Negra da voz, mae de todos nós

06 | Alafim

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Baixo fretless: Ricardo Feijão | Barrica, reco-reco, pratos e efeitos: Beto Cazes | Atabaque, agogô e triângulo: Carlos egreiros | Matraca, ganzá e língua: Jovi Joviniano | Quarteto de cordas (*) | Coro: Tia Doca, Dona Eunice, Renata Penna, Cristina Buarue e Pií | Arranjo de cordas: Leandro Braga

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Dança no fundo de mim
Meu alafim
Dança o Brasil de Zambi
Dança Benin
Daná Haiti, Mackandal, sovê!
Dança Guiné e Bissau, errê!
Dança com Pai Fon
O palenque, o caboclo, o índio e o cimarron.
Dançando eu tô protegido de toda a invasão,
A cidadela com sua muralha é o coração
Leoa de Marfim,
Dança do meu nascimento até meu gurufim
Ninguém põe quebranto no banto que dança tanto assim
Alafim de mim
Dança no fundo de mim meu alafim
Dança no fundo de mim meu alafim

07 | Meu Tempero é Sal

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Surdo e efeitos: Beto Cazes | Atabaques: Carlos Negreiros | Ganzá e efeitos: Jovi Joviniano

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Sou macaco velho
Manjo de cumbuca,
Eis o meu tempero
Como mestre cuca:

Pouco açafrão,
Pimenta um nada,
Nem estragão,
Nem noz-moscada,
Meu tempero é sal!

Dendê, “tantin”
Sálvia, a lembrança,
Do alecrim, só a “nuança”
Meu tempero é sal!
Páprica penso e não ponho
Gengibre eu tenho e não boto
O louro eu tiro na hora agá.
A salsa ia mas sai
A erva-doce acabou,
O cravo eu cismo e não vai
– Só abuso do que não vou por!

08 | Mico Preto

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Baixo acústico: Bruce Henry | Cavaquinho (solo): Henrique Cazes | Percussão: Beto Cazes

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Eu nunca dei um jeitinho
vim devagarinho, penando, tentando acertar,
Neguinho não me deu nada
A não ser porrada, sermão, passa fora e eu lá.
Tem parasita na ativa exportando divisa
E eu suando a camisa por honra da firma
A vida é assim:
Até minha gata dá pra todo mundo
Só não dá pra mim
Se um bacana me chuta
eu peço desculpa e luto prá não complicar
Se me chamar de bagaço, agradeço, obrigado
Um abraço, isso aí, até já!
Não tenho tempo pra sarro,
O sapato furou, apagou o cigarro, meu time perdeu,
Guincharam meu carro, pisaram meu calo
E até a comida o cachorro comeu

Mas sou brasileiro,
Adoro esse coreto
É agora ou nunca
Já não tem talvez
Tão me dando gelo,
Tirei o Mico Preto
Mas vem aí a minha vez

09 | Paris: De Santos Dumont aos Travestis

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Baixo: Jorge Helder | Harmônica: Rildo Hora | Piano: Leandro Braga | Percussão: Beto Cazes

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Paris,
Uma loura envolta em negligeé,
Ton-sur-ton e degradê

O meu francês é meio assim
jabaculê
E esse impasse:
Me mudar da vila pra
Montparnasse,
Eu sei que o tempo urge
Do Verde-amarelo pra bleu-blanc-rouge,
Da Conde Bonfan pro Moulin Rouge

Trés bien, que beleza:
Ver o pandeiro tocar a Marselhesa
Pra cada merci beaucoup
Eu mando um n’a pas de quoi
E le samba, voilá!
Com Mon amour eu vou derreter
(Dieu!)
E qu’est ce que c’est que vous voulez
Si la question é remexer?
Paris, je t’aime!
Eu vou voar pra ver

10 | Só Dói Quando Rio

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Violão e voz: Moacyr Luz | Quarteto de cordas (*) | Arranjo de cordas: Leandro Braga

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Só fico à vontade
Na minha cidade
Volta sempre a ela
Feito criminosa
Doce e dolorosa
A minha história escorre aqui
Há que m não se importe
Mas a Zona Norte
É feito cigana lendo a minha sorte:
Sempre que nos vemos ela diz
Quanto eu sofri
E Copacabana
A linda meretriz-princesa,
Loura mãe de santo
Com sua gargantilha acesa…
Ela me ensinou pureza e pecado,
A respiração do mar revoltado…
Rio de Janeiro, favelas no coração

11 | No Mesmo Colar

Moacyr Luz / Aldir Blanc / Paulo Emílio
Violão e voz: Moacyr Luz | Baixo elétrico: Jorge Helder | Percussão: Beto Cazes | Quarteto de cordas (*) | Arranjo de cordas: Henrique Cazes

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O ondular do mar no quintal
É o passo carioca, oi maré-carnaval!
Canavial de João Cabral,
Rodas de viver: baianas de São Salvador
O estandarte eu fiz do luar
Nas igrejas de Ouro Preto ao relampejar
E Eu vou beber mas sem desabar,
Cravo as mãos no ar
Quem nem faz a Serra do Mar
No Pantanal
As constelações
São irmãs das revoadas
Estrelas são araras
Em debandada avistando o caçador
Vou misturar no mesmo colar
Um coral de partideiro e txucarramãe,
Capiba e Noel, Rosa e Paixão,
Costurando um cordel na mão
– é o meu feitio de oração
Costurando um bordão na mão
– o fio é a conta do artesão
Costurando um Brasil na mão

12 | Vitória da Ilusão

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Voz: Beth Carvalho | Violão: Moacyr Luz | Baixo elétrico: Jorge Helder | Cavaquinho: Henrique Cazes | Pandeiro, repinique, tamborim, agogô: Jaguara da Mangueira | Surdo, reco-reco, tamborim: Beto Cazes

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Carnaval,
Relicário de um tradição,
Imortal vitória da ilusão
Carnaval, coração…
Bordadeira e carpinteiro
Armam outro Rio de Janeiro
Escultor, artesão…
Carnaval, passional…
Veias de serpentina
A alma de isopor e purpurina…
Carnaval, missa campal do povo brasileiro
Onde a hóstia sagrada é o pandeiro
Carnaval, celestial império do trambique
Onde o crente idolatra o repique
Rio que passa e que não passou,
Chama devassa purificou
O meu sentimento na contradição de um ritual
Carnaval, anormal…
O menino é a menina
E o doutor juiz é a bailarina…
O carnavalesco é um deus maldito
E isso é que é bonito
Recriar a criação
Pamplona, Julinho, Joãozinho Trinta dão a pinta
Que nada se acaba quando é feito por paixão
Arlindo Rodrigues, Fernando Pinto isso é lindo!
– Das cinzas à Ressurreição!

13 | Flores em Vida: Prá Nelson Sargento

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Voz e violão: Moacyr Luz | Baixo elétrico: Jorge Helder | Cavaquinho: Henrique Cazes | Tamborim, repinique, caixa e surdo: Jaguara da Mangueira | Pandeiro, repinique,caixa,surdo e tamborim: Beto Cazes

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Ele é um samba de quadra da Mangueira
Que Deus letrou,
Dá aula sobre a cidade
E nessa universidade
É o reitor
Como dizia outro Nelson:
Despedida
Não dá nenhum prazer
Pra parar com essa mania
De sofrer
Trouxe aqui flores em vida
Prá você
Se a paixão do momento engana
Que é bonita
O Nelson Sargento diz que acredita
Essa é a grandeza que o samba nos legou:
Em cada tristeza erguer nosso copo ao humor
Se o riso é mais do que do que o cansaço
Mangueira cabe em nosso abraço
E toda a dor desse mundo
enfeita a nossa fantasia…
Sargento apenas no apelido
Guerreiro, negro dos Palmares,
Nelson é o Mestre Sala dos Mares
Singrando as águas da Baía

14 | Medalha de São Jorge

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Voz e violão: Moacyr Luz | Cello: Luiz Fernando Zamith

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Fica ao meu lado, São Jorge guerreiro
Com tuas armas, teu perfil obstinado
Me guarda em ti, meu Santo Padroeiro
Me leva ao céu em tua montaria
Numa visita a lua cheia
Que é a medalha da Virgem Maria
Do outro lado, São Jorge Guerreiro
Põe tuas armas na medalha enluarada
Te guardo em mim, meu Santo Padroeiro
A quem recorro em horas de agonia
Tenho a medalha da lua cheia
Você casado com a Virgem Maria
O mar e a noite lembram na Bahia
Orgulho e força, marcas do meu guia
Conto contigo contra os perigos
Contra o quebranto de uma paixão
Deus me perdoe essa intimidade:
Jorge me guarde no coração
Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
e muita vez tem ar de anjo e garras de dragão

15 | Do Um ao Seis

Moacyr Luz / Aldir Blanc
Voz e violão: Moacyr Luz | Baixo elétrico: Jorge Helder | Percussão: Beto Cazes

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Leme,
As ondas começam na calçada
São pedras de um dominó que eu gosto de jogar
Ai, deixa estar…
Barco ao mar,
Eu lido com a infância a barlavento
Depois da ressaca, o sentimento
Diz que 2 é bom 3 é demais pra mim
É que eu ado de quatro por amor de alguém
E noto que o amor é pior que escala em terremoto
E o mais remoto
Me dói no peito
Ai vou pro posto 5 ai, ai
Qualquer barracão de zinco
Onde eu fizer jejum
Parece o goldenroom
Hoje eu vou pro posto 6
Daqui pra onde eu vou
Copacabana me enganou
É, vou tenteando a linha
Ai de mim Copacabana
Não sou o super-bacana
Mas com as pedras da calçada
Tal a primeira vez
Retomo o jogo do um ao seis
A vida devolveu a minha antiga brincadeira:
Dominó, amendoeira… e o Leme…

16 | Saudades da Guanabara

Moacyr Luz / Aldir Blanc / Paulo Cesar PinheiroVoz e violão: Moacyr Luz | Baixo elétrico: Jorge Helder | Percussão: Beto Cazes | Quarteto de cordas (*) | Coro carioca: Paulão, Albino Pinheiro, Beth Carvalho, Cristina Buarque, De la Peña, Henrique Sodré, Henrique Cazes, Jordão, Eliane Uzeda, Luiz Carlos da Vila, Alberto Lulu, Marcelo Sá Corrêa, Marcos Sacramento, Mário Adnet, Mário ago Filho, Mello Menezes, Nelson Sargento, Paulinho Pinheiro, Família Roitman, Ruy, Magro, Wilson Flora, Walke, Pií Bee, Sérgio Cruz, Fernanda Cruz, Paulo César Figueiredo, Jorge Roberto Martins, Wilson Moreira, José Antônio e Walter Alfaiate. | (*) Quarteto de cordas | Arranjos de base: Moacyr Luz | Arranjo de cordas: Henrique Cazes e Leandro Braga | Arranjos e percussão: Beto Cazes e Grupo Baticum

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Eu sei, que o meu peito é uma lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão, eu sei
Chorei, com Saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação, e então…
Armei, Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade
Reguei, o Salgueiro pra Muda Pegar novo alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar
Eu Sei,que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração.
Chorei, com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão, e então…
Passei, pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi Piedade
Plantei Ramos de Laranjeiras foi meu Juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro
Pois é pra gente respirar
Brasil, tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

 

Gravado no Estúdio Hara Internacional
Agosto/Setembro 94
Técnico de Gravação: Amaro Moço
Mixagem: Amaro Moço, Beto, Henrique Cazes e Nilo Sérgio Filho
Masterização: ProMaster – Denilson Campos
Coordenação de relançamento: Zé Luiz Soares
Fotos: Wilson Montenegro
Produção Gráfica: Stela Nascimento

(*) Quarteto de Cordas:
Violino I – Ângelo Dell’Orto
Violino II – Walter Hack
Viola – Jairo Dinis
Cello – Luiz Fernando Zamith


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