Pirajá | Esquina Carioca – A Cozinha do Samba


  • Disco
  • Ano
  • Gravadora
  • Música
  • Pirajá | Esquina Carioca - A Cozinha do Samba
  • 2004
  • Dabliú Discos
  • Delírio da Baixa Gastronomia
    Som de Prata
    Vila Isabel
    Saudades da Guanabara


01 | Delírio da Baixa Gastronomia

Moacyr Luz

Azeite no jiló
Pimenta fresca no bobó
A abrideira no balcão de mármore
Dentro do pirão, uma corvina, um azulão
E a feijoada desenhando o sábado
Cosido à brasileira, no domingo e quarta-feira
E também tem um camarão na abóbora
Depois de apaixonar pela batida do lugar:
– A melhor!
Garçom de borboleta
Escrito a giz na tabuleta:
– Mocotó!
Frango com quiabo um cabrito temperado
É de se ajoelhar
No caldo do ensopado um lagarto fatiado
É de fazer chorar
Belmontes corações,
No Pirajá das ilusões
Lamas e Luiz
Adônis dos fiéis
Engibaiado de pastéis
Sou feliz!
Deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
Peito com coradas caprichadas malaguetas
Vem servir
Deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
Virado a paulista, uma isca a lisboeta
Vem servir
Deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
Bife mal passado com dois ovos na manteiga
Vem servir
Deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
Dúzias de sardinhas, caranguejo, caranguejas
Vem servir
Deixa o cardápio aí, diz o que eu vou pedir
Pra finalizar, aceito a dica do Jaguar
Vou dormir

02 | Som de Prata

Moacyr Luz / Paulo César Pinheiro

Nasceu no Rio de Janeiro
Dia do Santo Guerreiro
Naquele Tempo que passou
Foi o maior mestre do choro
Tinha um coração de ouro
E que bom compositor!
Foi Carinhoso e foi Ingênuo
E na roda dos boêmios
Sua flauta era a rainha

E em samba, choro e serenata
Como era doce o som de prata, dotô
Que a flauta tinha
O embaixador dessa cidade
Meu Deus do céu, mas que saudade que dá
Do velho Pixinguinha

Veio da Terra de Zambi, sangue de malê
De uma falange do Rei Nagô
Filho de Ogum, de São Jorge no Batuquejê
de Benguelê, de Iaô
Rainha Ginga
É que sua avó era africana
A rezadeira de Aruanda, vovó
Vovó Cambinda
Só quem morre dentro de uma igreja
Vira Orixá, louvado seja o sinhô,
Meu Santo Pixinguinha

Ele é de Benguelê
Ele é de Iaô
É do batuquejê
Ele é do Rei Nagô
É sangue de malê
É santo, sim “sinhô”

03 | Vila Isabel

Moacyr Luz / Martinho da Vila

Vila Isabel
meu Deus como tu és
De chorar de emoção
falei com meu violão.
Dos teus componentes, que beleza
estão nos seus corações
recordações
e eles são a ti fiéis.

No meio da quadra
tão familiar
Bebi, fiz amigos e sambei
então me falaram dos teus fundadores
Do Paulo Brasão, do Vrande, Zé Leite.
(E assim) De branco e azul
tens orgulho de ser
afilhada da Portela
Olhei
Pro céu e vi
Jaburu
Waldir
Monarco diz, como eu:
te amo Isabel…

15 | Saudades da Guanabara

Moacyr Luz / Aldir Blanc / Paulo César Pinheiro

Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei…)
Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (…e então)
Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade
Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar
Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração
Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (…e então)
Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade
Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro
Pois é pra gente respirar (Brasil)
Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar


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