Pirajá | Esquina Carioca – Uma Noite com a Raiz do Samba


  • Disco
  • Ano
  • Gravadora
  • Música
  • Pirajá | Esquina Carioca - Uma Noite com a Raiz do Samba
  • 1999
  • Dabliú Discos
  • Prenda o Seu Gado | Jogo Rasteiro
    Pra Que Pedir Perdão?
    Saudades da Guanabara


01 | Prenda Seu Gado – Jogo Rasteiro

Donga / João da Bahiana / Pixinguinha | Moacyr Luz / Nei Lopes
Intérpretes: Moacyr Luz, Walter Alfaiate, Luiz Carlos da Vila, João Nogueira, Dona Ivone Lara e Beth Carvalho

Ô patrão
Ô patrão
Ô patrão, prenda seu gado
Na lavra tem um ditado
Quem mata gado é jurado
Missa de padra é latim
Rapaz solteiro é letrado
Em vim preso da Bahia
Só porque era namorado
Madame Diê, lalá

Samba ioiô, samba iaiá
Que o dia e vem, doná

Eu bem sei
Eu bem sei
Eu bem sei que fui culpado
De vir preso da Bahia
Só porque fui namorado
Vou tirar meu passaporte
Meu camarote de proa
Eu aqui não vou ficar
Vou-me embora pra Lisboa
Senhorita vai ver, doná

Samba ioiô, samba iaiá
Que o dia e vem, doná

Ô, Joana, ô Maria,
Saruê pra que trabalha
No pescoço da cutia
No pavilhão, da atalaia
Era hoje, era ontem, era donte
Era donte, era ontem, era hoje
Sinhazinha mandou me chamá
Corri quatro cantos
Balão de iaiá

Angoleiro, prisioneiro, mandingueiro, isoneiro
Angoleiro, prisioneiro, mandingueiro, isoneiro

É na ginga que o bom mandigueiro
vai ganhar devagar tempero
Aprender a jogar rasteiro
e atrasar pra chegar primeiro
É no mar e não lá no estaleiro,
que se vê um bom sabero
Enfrentando qualquer banzeiro
Tempestade ou nevoeiros
O jogo do amor tem dessas manhas
Feito as águas de Inaiê
Não precisa de grandes façanhas
É só saber gingar e ser

Maneiro, mandingueiro,
bom sabero no banzeiro
Maneiro, mandingueiro,
bom sabero no banzeiro

02 | Pra Que Pedir Perdão?

Moacyr Luz / Aldir Blanc

Se é pra recordar dessa maneira,
sempre causando desprazer,
jogando fora a vida em mais uma bebedeira,
ó, sinceramente, é preferível me esquecer
Eu te prometi mundos e fundos
mas não queria te magoar
Eu não resisto aos botequins mais vagabundos
mas não pretendia te envergonhar
marquei bobeira…
Vi muitas vezes o destino
ir na direção errada
e a bondade virar completo desatino
a carícia se transformando em bofetada
Ah, eu sou rolimã numa ladeira
não tenho o vício da ilusão:
hoje, eu vejo as coisas como são
e estrela é só um incêndio na solidão
Se eu feri teu sonho em pleno vôo
pra que pedir perdão se eu não me perdôo?

18 | Saudades da Guanabara

Moacyr Luz / Aldir Blanc / Paulo César Pinheiro

Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei…)
Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (…e então)
Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade
Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar
Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração
Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (…e então)
Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade
Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro
Pois é pra gente respirar (Brasil)
Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar


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